#Cafénomia – A industrialização brasileira começou errada?

Brasil, 500 anos de existência e sua economia ainda depende prioritariamente de exportações de produtos básicos, de commodities etc. Apesar de possuirmos indústrias, é de conhecimento que ela não é o “carro” forte do país e não parece que será em um período curto. Diversos processos de industrialização começaram e por algum motivo, ainda somos um país exportador de matéria prima. Onde será que o processo de industrialização “deu errado”?

Vamos voltar tendo uma breve aula de economia, de como foi o primeiro processo de industrialização nacional que tivemos. Por volta dos anos 40, no fim da segunda grande guerra, o Brasil tinha uma discussão árdua sobre a sua situação e a forma com que era tratada a economia do país. Levantamentos feitos pelos especialistas da época diziam que era estimado que a renda média do brasileiro era de um vinte cinco avos a estadunidense, e isso antes da explosão do país no pós-guerra.

Com uma comissão de diversos intelectuais do assunto, dois se destacaram pelas suas ideias. O primeiro deles, Roberto Simonsen, defendia a industrialização vinda pelo estado, com barreiras externas para estimular a produção interna e pouca ajuda do setor privado. O segundo, Eugênio Gudin, defendia que as ideias de Simonsen resolveriam problemas de produtividade que prejudicariam o país, defendendo que uma industrialização sem competição acabaria com diversas empresas dependentes dos incentivos do estado para continuar existindo.

Ambas as ideias eram muito bem fundamentadas e tinham seus pontos apoio e críticas. As ideias de Simonsen desenvolveriam uma industrialização mais rápida e supriria os problemas de falta de poupança interna tomando dívida externa, essa mesma dívida externa poderia ser prejudicial para o país no longo prazo, uma vez que ela poderia não ser acompanhada pelo aumento da renda do país. Já as ideias de Gudin eram menos imediatistas, auxiliando um ambiente de negócios mais promissor para investimentos diretos estrangeiros não traria o problema de endividamento de Simonsen e faria com que as empresas não dependessem de incentivo governamental para continuar a funcionar, entretanto, suas ideias demorariam mais para surtir efeito e não permitiriam que o país tivesse um crescimento em curto prazo.

No final, as ideias de Simonsen foram as aceitas pelos detentores de decisão. As ideias eram mais patriotas que as de Gudin e a agilidade com que surtiriam efeito auxiliaram a escolha pela metodologia. Apesar de corretas, as ideias de Gudin foram taxadas como ideias pessimistas e alguns questionaram se ele era a favor da industrialização, apesar de ele sempre criticar a forma agrária que o país levou até então.

Nos anos seguintes, foi implementado o projeto de Simonsen. Diversas empresas estatais foram erguidas e a industrialização forçada foi iniciada. Como reflexo dessa industrialização, diversas empresas criadas no período podem ser vistas ainda hoje, como a Companhia Vale do Rio Doce (Vale) e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), entretanto, Gudin estava certo sobre seus temores. Nas décadas que se sucederam, tivemos sim um avanço na industrialização brasileira, entretanto, por não ser competitiva, não conseguimos divisas suficiente para pagar as altas dívidas externas, desencadeando diversas crises econômicas que perduraram todo o século XX.

O problema das dívidas externas só conseguiu ser resolvido décadas depois. Graças a um boom nas commodities produzidas pelo país, tivemos um fluxo de capital estrangeiro forte o suficiente para que pudesse ser trocada a dívida externa brasileira por uma dívida interna.

Depois de analisarmos todas as consequências das decisões tomadas na época, me pergunto se o Brasil não teria se desenvolvido melhor, caso tivesse seguido as ideias de Gudin. Será que ainda dá tempo de seguimos elas, hoje?

Marcello Corsi Janota de Carvalho – Economista e Operador da Mesa de Renda Variável

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